São muitos projetos simultâneos, decisões tomadas em contextos diferentes, e cada agente de IA começa do zero sem saber nada sobre mim.
A solução que encontrei foi construir um cérebro externo em markdown que serve como fonte única de verdade pra qualquer agente. Chamei de Meu Cortex Digital.
A ideia central
Não quero depender de uma ferramenta específica. Quero arquivos .md simples, versionados no git, sincronizados pelo Drive e lidos por qualquer modelo, seja Claude, ChatGPT, Gemini, Cursor, o que for.
Ferramenta morre. Markdown sobrevive.
O Cortex vive em G:\Meu Drive\01 AI\Vault\ e já tá aberto no Obsidian. Qualquer agente que precisar de contexto sobre mim lê os arquivos de lá.
Arquitetura em 4 camadas
┌─────────────────────────────┐
│ 4. GATILHOS (cron, webhook) │
├─────────────────────────────┤
│ 3. AGÊNCIA (Gmail, Cal, WA) │ ← estou aqui
├─────────────────────────────┤
│ 2. PERSONA (como eu decido) │ ← concluído
├─────────────────────────────┤
│ 1. MEMÓRIA (o que eu sei) │ ← concluído
└─────────────────────────────┘
Fase 1: Memória
Varri todas as fontes: pastas do Drive, projetos de desenvolvimento, memórias do Claude Code, arquivos de contexto espalhados. Classifiquei tudo em categorias e copiei pra estrutura do Cortex. Nunca movi originais sem aprovação.
A estrutura ficou assim:
Cortex/
├── 00-meta/ # instruções para qualquer agente
├── 01-pizzarias/ # Dáme e Lov, marketing, ops, financeiro
├── 02-projetos-dev/ # todos os projetos de código
├── 03-pessoal/ # família, saúde, finanças, perfil
├── 04-consultoria/ # projetos e clientes
├── 08-secretaria-log/ # logs operacionais (gitignored)
Cada arquivo tem frontmatter YAML com project, status, updated e tags. Isso permite que qualquer agente entenda o contexto sem precisar ler o arquivo inteiro.
Fase 2: Persona
Capturei como eu realmente tomo decisões, não como eu acho que tomo. Isso virou persona-decisao.md:
- Decido sozinho, raramente peço opinião antes
- Prefiro dados e números, mas o impulso consegue contornar a análise
- Dois modos: rápido/reativo e analítico (quando forço)
- Tendência a superestimar familiaridade com um problema e subestimar o esforço real
O arquivo não é aspiracional. É descritivo. O agente usa isso pra me dar alertas quando percebe que tô no modo errado pra uma decisão importante.
Fase 3: Agência (em andamento)
Aqui os agentes deixam de ser consultivos e passam a agir. Primeiro integrei o WhatsApp.
O bot roda em background, sem Chrome, sem janela aberta. Toda semana recebo no meu próprio WhatsApp:
- Perfis comportamentais dos contatos com quem mais conversei
- Resumo dos debates dos grupos
- Análise das minhas próprias mensagens, o que o bot observou sobre mim que pode enriquecer o Cortex
O mais interessante: todo domingo o bot lê meus arquivos perfil-fabio.md, persona-decisao.md e familia.md e adiciona apenas o que for genuinamente novo. Sem sobrescrever, sem inventar, só o que conseguiu observar nas mensagens da semana.
Detalhes desse bot e de como ele se conecta com o Cortex estão em Criei um agente de IA que cuida do meu WhatsApp.
O que aprendi até agora
O Cortex só funciona se for fácil de manter. Arquivos complicados não são lidos, não são atualizados, morrem. Markdown puro, frontmatter simples, sem plugin proprietário.
A automação que alimenta o Cortex precisa ser conservadora.
Melhor não escrever nada do que escrever errado.
Por isso o bot usa um prompt que instrui o modelo a retornar “nada novo” se não houver observações claras baseadas nas mensagens.
Gmail e Calendar entram na Fase 3, com resumo de emails importantes, alertas de compromissos e integração com o Cortex. Depois vem a Fase 4: gatilhos automáticos que disparam ações sem eu precisar pedir.
O objetivo final é um sistema que conhece meu contexto melhor do que eu mesmo em qualquer dia de sobrecarga.