Criei um agente de IA que cuida do meu WhatsApp

Tava perdendo coisa importante nos grupos toda semana. Coloquei um agente pra ler meu WhatsApp por mim, mandar o que precisa de resposta urgente no fim do dia, e um resumo de cada contato e cada grupo no domingo. Roda no PC de casa, custo zero, plugado no meu próprio número.

Tava gastando tempo demais no WhatsApp. Grupo de fornecedor, repasse pro gerente, cotação, grupo da família que eu já tinha largado dois dias antes.

Toda noite a mesma sensação: passou coisa importante e eu não sei o quê.

Às vezes era paranoia. Às vezes não. Descobria na segunda, quando o fornecedor cobrava resposta que nunca chegou.

Em vez de bot que fala, bot que lê

Eu já tava montando o Meu Cortex Digital. Memória pronta, persona pronta. Faltava o que eu chamei de “agência”: o agente parar de só responder e começar a agir no meu mundo.

WhatsApp era o lugar mais óbvio pra começar. É lá que minha atenção vaza primeiro.

Em vez de bot que fala com cliente, bot que me lê.

O que ele faz, em três linhas:

Tudo o que ele observa volta pro Cortex. Toda outra IA que eu uso depois já sabe com quem andei falando, do que, e o que ficou pendente.

Montei numa noite

Roda no PC que já fica ligado em casa. Plugado no meu próprio número. Vê tudo que eu vejo, e não fala com ninguém.

Primeira semana já valeu. Domingo de noite chegou o resumo e tinham dois assuntos que eu não tinha visto:

  1. Fornecedor cobrando cotação que eu jurava ter respondido.
  2. Lembrete da escola do meu filho. Eu ia perder o prazo.

Nenhum dos dois ia me quebrar. Os dois iam me dar dor de cabeça.

O problema não era WhatsApp. Era atenção.

A parte que mais me interessou

Não foi o resumo dos grupos. Foi o resumo dos contatos individuais.

Pra cada pessoa relevante, ele:

Eu lembrava de pessoas no susto, quando algo já me cobrava. Agora tem alguém me empurrando isso pra cima toda semana, antes de virar problema.

Bonus: domingo de noite ele lê as minhas próprias mensagens da semana e atualiza meu perfil dentro do Cortex. Sem inventar, só o que dá pra observar do que eu mesmo escrevi.

A pegadinha da invenção

Esse é o ponto onde um modelo solto inventa o universo.

A primeira versão me devolveu romance. Traçou perfil psicológico de gente com quem troquei três mensagens. Deduziu intenção que ninguém disse. Pareceu profundo. Era invenção.

Reescrevi o prompt obrigando formato fixo e proibindo invenção. Se não tem o que dizer, não diz.

Prefiro nada do que errado.

Esse bot escreve no Cortex. Se ele inventar, eu tomo decisão na semana seguinte baseado em invenção dele. Não compensa.

Plano B, C, D

Pra não depender de um único modelo, montei redundância. Se o primeiro cair ou estourar quota, tenta o segundo. Cai o segundo, vai pro terceiro.

Não é luxo:

O bot precisa rodar. Custo até hoje: zero. Cabe nos planos gratuitos pra escala de uma pessoa.

Fase 2: deixar ele responder

Fase 1 é leitura. Fase 2 é deixar ele responder coisa pequena por mim, dentro de regra clara. “Tô a caminho”, “recebi sim”, “que horas a gente combinou”, confirmação de pagamento que o financeiro já tinha me passado.

Nada de cliente final. Nada de decisão. Só o agradecimento e a confirmação que comem o meu dia sem agregar nada.

Pra isso funcionar sem virar pesadelo, preciso de três coisas:

  1. Saber quem é cada contato. A fase 1 já tá construindo isso no Cortex.
  2. Regra clara do que ele responde sozinho, do que ele rascunha pra eu aprovar com um clique, e do que ele nunca toca.
  3. Aprender o jeito que eu escrevo, pra resposta dele parecer comigo.

Os três saem da mesma fonte: o agente lendo o que eu mesmo escrevo.


Por enquanto ele só lê. E só de ler já mudou a forma como eu chego em segunda de manhã.

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